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O Gildot e a época de ouro da Internet

Por Marco Lopes em 2008

Gildot

Num comentário ao artigo Os “sempre em baixo”, onde falo dos problemas de uptime do site da caixa directa, um utilizador questionava se iria haver alguma resposta por parte de alguém da CGD. Em resposta a esse comentário, falei-lhe numa discussão que aconteceu no Gildot em 2003 aquando da colocação online do teclado virtual no site da caixa directa. Quando encontrei esta página, estive a reler a discussão e isso fez-me pensar no que o Gildot já foi.

Infelizmente, o Gildot morreu e ninguém lhe avisou. Digo infelizmente porque eu sou/era um grande fã do Gildot. Acompanhei-o desde muito cedo, antes ainda de um incidente onde um utilizador se fez passar por outro que se identificava como lamego e levou a que os utilizadores passassem a ser registados. Quando isto aconteceu, registei-me e fiquei com o número de utilizador 137.

Sou daqueles, que este tempo todo depois de o Gildot ter perdido o seu folego ainda continuo a lá regressar e de vez em quando a colocar um ou outro comentário na vã esperança de o ver regressar.

Ao contrário da opinião de muita gente, para mim o Gildot sempre foi um pólo onde se encontrava a comunidade informática portuguesa. Andava por lá gente das mais diversas áreas da tecnologia e das mais diversas origens: estudantes, profissionais, auto-didactas, etc... Eu descreveria o Gildot dos seus tempos áureos como A Brasileira da tecnologia, onde andava gente com grandes conhecimentos, e relacionada com os maiores projectos e empresas da área.

Era um espaço de discussão, e encontravam-se opiniões divergentes, o que só o fazia mais interessante. Ao contrário do que muitas virgens ofendidas passavam o tempo a pregar, a maior parte dessas discussões eram positivas, e mesmo quando aqueciam um pouco mais, havia sempre alguma partilha de conhecimento e demonstrações de pontos de vista diversos.

À volta do Gildot, surgiram ainda outros projectos como o startux.org, do qual ainda cheguei a fazer parte, a convite do Mário Gamito, seu autor. Também neste aspecto o Gildot contribuiu bastante. Sendo que muitas das pessoas relacionadas com a formação dos agregadores de blogs mais populares em Portugal actualmente, também estavam relacionadas com o Gildot.

Para muitos, o Gildot podia ser um local muito ruídoso, para outros é até cómodo que já não haja o sítio onde as pessoas que sabiam do assunto teciam as suas críticas, mas para mim, por todos estes motivos e muitos outros, o Gildot foi um dos sites mais importantes na internet em Portugal e o espaço que ocupou durante muitos anos continua vago.

PS: Deixo aqui um desafio. Quem é que se lembra do endereço original do Gildot?

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8 Comentários

  1. Marco Batista Julho 2, 2008 @ 02:29

    gil.uminho.pt se não estou em erro.

    o AJC é que podia voltar a pegar naquilo, como hobbie.

  2. Marco Lopes Julho 2, 2008 @ 09:04

    Estive a reparar que o barrapunto está vivo e aparentemente de saúde. O que aquilo precisava era de sangue novo nos editores, os originais já estão “velhos e cansados” (em relação ao Gildot, não em idade ;) ). Outra coisa que era capaz de lhe fazer bem era mudar de plataforma, um WordPress com um plugin para os utilizadores poderem submeter artigos para aprovação (se é que o WordPress não permite já isso de raiz para utilizadores registados) e outro para fazer threads nos comentários, não era mal pensado.

  3. Marco Batista Julho 2, 2008 @ 10:09

    Para isso temos a plataforma do Sapo, olha que com um bocadinho de sorte se alguém mandar a boca, e como agora os blogs do sapo já permitem domínios próprios, não seria uma má escolha.

    Ou o AJC vender o Gildot ao grupo Impresa e colocar o Gildot sob domínio do aeiou, neste momento o que falta ao aeiou é “forum” sobre tecnologia.

  4. Marco Lopes Julho 2, 2008 @ 10:26

    Pois, não sei se não daria mais trabalho a integrar a template para o sapo blogs para no fim acabar por perder flexibilidade por estar a usar um alojamento específico para blog. Os blogs do sapo suportam artigos sugeridos pelos utilizadores?
    Outra desvantagem que estou a ver é o facto de ficar limitado aos utilizadores do sapo, e não ter utilizadores próprios.

    Quanto à ideia de vender ao aeiou… não sei, o relvado por exemplo parece-me que se descaracterizou um bocado com isso, não sei se isso não iria afastar os utilizadores numa comunidade que está tão à vontade na área técnica e que tem um nível de exigência superior ao normal num site de comunidade.

    Mas qualquer coisa é melhor do que a situação actual.

  5. NeVErMinD Julho 3, 2008 @ 00:23

    http://dot.gil.di.uminho.pt/

  6. Marco Lopes Julho 3, 2008 @ 00:30

    He, he, exacto, já imaginava que não ia demorar muito até aparecer alguém que ainda se lembrava disso ;)
    Antes de publicar o artigo ainda fui ver se esse endereço ainda funcionava, mas já não.

  7. Mário Gamito Julho 3, 2008 @ 20:15

    Velhos tempos, Marco.

    http://dot.gil.di.uminho.pt

    Abraço,
    Mário Gamito, aka BladeRunner @ Gildot

  8. Marco Lopes Julho 3, 2008 @ 20:28

    Velhos são, ainda me lembro de ter encontrado o gildot através de um search engine, para aí há uns 10 anos, penso que na altura o endereço http://www.gildot.org ainda não existia, só o endereço original. Engraçado lembrar-me disto, mas não me lembrar o que estava a procurar e nem sequer qual o search engine que estava a usar (google, yahoo ou até o altavista que ainda era popular na altura, são hipóteses).

    Mas apesar de velhos, não me parece que estejam assim tão ultrapassado. Se repararmos, o Slashdot e o Barrapunto continuam vivos e de aparente saúde e nada impede o Gildot de fazer um regresso em grande e voltar a ocupar o lugar que deixou e que se encontra vazio.

    Por isso, concordo com o Marco Batista e espero que um dia o AJC volte a ganhar entusiasmo por aquilo e que ainda vá a tempo de o fazer reviver.

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