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Será que consigo ver as minhas fotos daqui a 10 anos?

Por Marco Lopes em 2008

Infelizmente a informática está numa fase muito estranha. Os computadores avariam-se e as marcas recusam-se a recuperar os dados dos discos, mesmo quando os problemas não são no disco. Por outro lado também se recusam a receber sequer instruções para não reinstalar o sistema depois de trocar o hardware avariado. Ainda esta semana um familiar meu teve uma avaria na motherboard de um computador HP, dentro do período de garantia, e o que lhe disseram foi que se quisesse recuperar dados do disco tinha que ir a uma casa de informática e pagar para lhe tirarem os dados de lá antes de o computador ir para arranjo. A hipótese de ser a própria HP a retirar alguns dados do disco, ou trocar a motherboard sem formatar o disco não é sequer considerada, sob a desculpa de que o computador vai para Espanha. Aparentemente ninguém por cá pode dar instruções em Castelhano ou Inglês, e por lá ninguém percebe Português, porque esse é o único motivo que me parece justificar que não seja possível comunicar o que é suposto fazer a um computador.

DVD

Este tipo de incompetência por parte das grandes marcas, as rápidas mudanças de formatos físicos e de software, cada vez mais incompatíveis e protegidos por patentes que obrigam a que cada marca desenvolva o seu formato específico e a cada vez pior qualidade do hardware, levam a que a manutenção de dados por um periodo longo sejam um autêntico pesadelo.

Uma das coisas que é suposto guardarmos durante anos são as fotografias. Ainda hoje, tenho acesso a centenas de fotografias e slides que os meus pais tiraram, algumas, bem anteriores ao meu nascimento. Até há alguns anos, as fotografias eram algo físico que basicamente bastava guardar e estava resolvido o problema. Agora, as fotografias vêem em formatos digitais que correm o risco de obsolescência em poucos anos. Para agravar, cada máquina usa o seu formato, e quando entramos no campo do RAW, a coisa descamba completamente e o risco de perda de compatibilidade é ainda maior.

No meio deste drama todo, os discos rígidos actuais passam mais tempo a avariar do que a funcionar. Por esse motivo é conveniente manter backups se não queremos ver as nossas fotografias desaparecer para sempre. Em que formato vamos fazer um backups? Em DVD? Dêem-me um euro por cada DVD que eu já vi estar corrompido assim que acaba de ser gravado e não preciso de mais um tostão para meter gasolina até ao fim do ano, com aumentos e tudo! Ainda por cima, uma biblioteca razoável de fotografias não cabe num só DVD, por isso o risco tem que ser multiplicado pelo número de DVDs que essa biblioteca ocupar. Novos formatos vão surgindo como o Blu-ray ou mesmo o Blu-ray de 400G... mas... esses formatos também estão prejudicados pelas patentes e guerras de formatos e arriscamos gastar uma fortuna numa drive para ter uma coisa que nunca chega a pegar. Para agravar isto tudo, arriscamos a que ao fim de meia dúzia de anos os nossos DVDs/Blu-rays/whatever, se durarem esse tempo todo sem se estragar, contenham uns milhares de fotos em formatos que não conseguimos abrir porque o formato X já não é suportado por ninguém (substituir formato X por RAW de cada uma das marcas de máquinas fotográficas que se lembrou ou se viu obrigada pelas limitações impostas pelas patentes a criar um formato próprio).

Pessoalmente, as minhas fotos estão em dois computadores diferentes, num disco externo que entretanto já avariou e em alguns DVDs que espero ainda não se tenham ido juntar ao criador. Isto tudo não me dá garantias de segurança e ainda por cima, as fotos mais recentes, como seria de esperar não estão distribuidas por todos estes meios.

No Digital Photography School, publicaram um artigo intitulado 5 Ways To Never Lose Your Photos, que dá algumas sugestões para guardar fotos, mas não me parece apresentar soluções simples para nenhum destes problemas que aqui descrevo.

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23 Comentários

  1. João Gonçalves Julho 8, 2008 @ 17:45

    Outra questão é se o meio onde guardaste as fotos vai sobreviver, em termos de durabilidade, ao longo dos tempos.

    Tenho muitos CD aúdio que agora parecem Vinil.
    Efeito pipoca em toda a música.
    E não estão riscados.. Com o passar do tempo ficaram assim.

    A fotos em papel duram uma eternidade de forem estimadas, enquanto que CD como no meu caso é questionável..

  2. Marco Lopes Julho 8, 2008 @ 17:52

    Exacto, e quem diz CDs diz DVDs e presumo que o Blu-ray tenha o mesmo problema. Essa é uma das minhas maiores preocupações, porque uma pessoa convence-se que tem um backup das fotos e quando vai ver, já não tem nada.

    O pior é que nem sequer parece haver uma solução.

  3. Carlos Martins Julho 8, 2008 @ 18:15

    Eu também uso a técnica dos 2 PCs, mais disco externo, mais DVDs.
    Mas recentemente acrescentei outra: o armazenamento online – no meu caso o Adrive, que disponibiliza gratuitamente 50GB.

    Quem for “paranóico” com a ideia de ter as fotos num servido qualquer estranho, pode sempre encriptá-las… – mas não esquecer que se pode cair no mesmo problema. Já tive que deitar fora centenas de documentos depois de recuperar de um backup antigo, pois estavam encriptados por um programa que já nem existia. Mas se escolherem um PGP ou Truecrypt, devem ter mais estabilidade nesse aspecto.)

  4. Marco Lopes Julho 8, 2008 @ 19:06

    Esse Adrive não conhecia, mas parece-me interessante, até porque as minhas fotos não têm nada de especial que mereça levar com uma encriptação em cima. São as tradicionais fotos que o pessoal tira nos jantares de família e em férias.

    Os gajos do Adrive dão assim 50G? Não há nenhum catch?

  5. Carlos Martins Julho 8, 2008 @ 20:12

    É exactamente o meu caso… fotos normais de ferias e familia.

    Não há nenhum catch mesmo; bem, resalvando o facto de ser gratuito e – se por algum motivo aquilo deixar de existir – não podemos reclamar. :)

    Mas como é para funcionar como 3º ou 4º nivel de backup, é sempre mais uma segurança.

    Estive quase 2 dias a fazer upload das fotos para lá, mas ao menos ficam la arquivadas.

    Ah, e tem a vantagem adicional de poderes partilhar as que quiseres com amigos e familia, o que dá sempre jeito – em vez de se dizer “ah, depois copio-te isso.” :)

  6. Marco Lopes Julho 8, 2008 @ 20:18

    Olha aí está mais uma vantagem. Vou mesmo experimentar isso. Obrigado pela dica ;)

  7. Mário Nogueira Julho 9, 2008 @ 09:24

    A minha abordagem tem sido manter as fotos num disco rígido, e sincronizar muito regularmente com outro disco rígido. De vez em quando, por descargo de consciência gravo uns (bastantes) DVDs. O crescimento do espaço ocupado pelas imagens tem-me obrigado a trocas regulares de discos, pelo que nenhum deles chega a atingir o MTBF. O facto dos discos irem sendo trocados garante a sua “actualidade”. O próprio processo de sincronização acaba por servir para verificar a integridade dos dados. O tal disco externo está sempre desligado, apenas é ligado ao PC no momento do sincronismo. Ponto de falha: um incêndio em casa, por exemplo. Ainda estou para resolver essa…

  8. Carlos Martins Julho 9, 2008 @ 10:09

    Eu resolvo isso mantendo um set de DVDs com as fotos em casa dos meus pais.
    E – lá está – no Adrive online, que funciona como “último recurso”.

    Se bem que, começo a considerar o Adrive como forma de backup quase principal (logo a seguir ao disco USB externos) e os DVDs como backup “de último recurso”.

  9. Marco Lopes Julho 9, 2008 @ 10:11

    @Mário Nogueira

    Nesse sentido, quem mantém um crescimento em espaço ocupado pelas fotografias que justifique a compra frequente de discos novos tem vantagem.
    Pela minha experiência pessoal nos últimos anos, o normal num disco é não aguentar sequer um ano sem começar a dar problemas, ao fim de suficientes trocas lá acaba por aparecer um que dura.

    No caso do meu powerbook que já vai para os 4 anos, o disco ainda é o original e não tem dado problemas, mas o disco externo de 300G já se foi, dos dois discos de 120G onde tenho os backups de fotos (estavam em RAID, mirror) um já se foi, felizmente o RAID por hardware do Linux permite-me continuar a usar o disco que sobra do mirror sem problemas.

  10. Marco Lopes Julho 9, 2008 @ 10:15

    @Carlos Martins

    Tendo em conta a pouca fiabilidade dos CDs/DVDs e o possível desaparecimento das drives para os ler num futuro onde o Blu-ray ou mesmo a existência de largura de banda suficiente venham a substituir as drives ópticas, penso que esse tipo de backups só pode ser mesmo o “último recurso”.

  11. Mário Nogueira Julho 9, 2008 @ 12:02

    Pois, no meu caso eu diria que as fotografias crescem a um ritmo de 100Gb por ano, talvez mais… :S

  12. Marco Lopes Julho 9, 2008 @ 12:06

    Pois… o meu problema aí é bem menor, eu não tenho nem metade de 100G de fotografias no total.

    Manter discos rígidos e queimar DVDs de backup para isso tudo é obra.

  13. Mário Nogueira Julho 9, 2008 @ 12:07

    Que remédio… :S

    Eu não fotografo muito, mas uso máquinas de filme de grande formato. Cada negativo digitalizado ocupa cerca de 200Mb em Tiff. O trabalho posterior no Photoshop vem duplicar esse valor. É fácil de compreender o crescimento…

  14. Marco Lopes Julho 9, 2008 @ 14:27

    Pois, assim só mesmo com discos… aos pares para não perder nada! ;)

  15. Hugo Cordeiro Julho 10, 2008 @ 17:30

    Relativamente aos discos estoirarem, quantas pessoas conheces que sabem quais os “envelopes térmicos” de funcionamento dos seus discos? Quantas pessoas têm ar condicionado em casa e uma fan na caixa a soprar constantemente para os discos? Pessoalmente não tenho AC, mas a fan ninguém me tira, não perco um disco há mais de 5 anos, mas ainda me lembro bem dos 2 anos de fotos que voaram para sul…

    Já tive routers (linksys -> grande bosta) a queimar só porque estiveram 45ºC em Lisboa há 2 anos… os números estavam lá… mas eu não os li… máx 35ºC… definitivamente não foram feitos para serem usados em portugal.

    Mas como dizia o meu colega Bruno Garrancho,

    “Security is a matter of compromise between the value of the information and the mechanics you implement to ensure its persistence…”

    Se as tuas fotos valem um par de discos novos todos os anos, então dá-lhe com um backup para um Raid 0. É apenas mais um custo a entrar nos gastos fixos anuais, junto com o seguro do carro…

    Mas se há uma coisa que custa a entrar na cabeça das pessoas normais é que nada dura para sempre, nem nós, nem o planeta… Sim, vamos perder fotos, carros, casas, amigos e família, é terrível vivenciar isso, mas essa vivencia apenas valida o facto de estarmos vivos, é parte integrante da vida. A melhor sugestão que eu posso dar é:

    “Não fiquem tristes porque acabou, fiquem felizes porque existiu”

  16. Marco Lopes Julho 10, 2008 @ 17:36

    Eu já tive uma ventoinha a soprar para dentro do meu computador, mesmo pertinho dos discos… mas sem querer parti-lhe a pá e nunca mais comprei outra… :(

    Quanto à parte existencialista do teu comentário, tenho que concordar que nada dura para sempre, mas pelo menos tinha esperança que as fotos digitais fossem para durar o mesmo que duram as fotos em papel. Se assim não for ainda vendo a minha máquina digital e volto ao rolo fotográfico. É que eu quando tiro fotos não é para satisfazer a comichão no dedo, é para, como diria a kodak, mais tarde recordar. ;)

  17. Carlos Martins Julho 10, 2008 @ 17:40

    Eu não só tenho uma ventoinha a soprar para os discos, tenho outra a extrair o ar quente.
    A temperatura dentro da caixa está apenas 3 ou 4 graus acima da temp exterior, e raramente acima dos 30 (em idle) e 45 (em uso intensivo – leia-se jogos 3D).

    OS discos estao sempre nos 30-35…
    Aprendi depois de ter estourado dos IBMs (daqueles que “clicavam”) – e agora tendo 6 discos no PC, não descuro isso. :)

  18. Marco Lopes Julho 10, 2008 @ 20:26

    Neste caso se calhar coloca-se uma questão relacionada exactamente com aquilo que refiro no início do artigo. Não deveriam esse produtos que não foram feitos para funcionar em portugal, não ser vendidos em Portugal?

    Por outro lado, já comprei vários discos que vêm num saquinho anti-estático e não há instruções não há nada, como é suposto saber qual a temperatura a que devem funcionar?

    Seja como for, o próximo disco que comprar já sei… não o ligo sem lhe meter uma ventoinha a garantir que não há cá aquecimentos para ninguém. Alguma sugestão para os discos externos? O meu de 300G que parou era externo, estava numa caixa FW800. :cry:

  19. Hugo Cordeiro Julho 11, 2008 @ 02:17

    Julgo que há caixas externas refrigeradas… mas são ruidosas e limitam-se a ter uma ventoínha pequenita na parte de trás…. já é alguma coisa mas…

    O oposto também acontece… a minha namorada andou a passear o laptop na mochila a -4ºC e chegou a casa 25ºC e ligou-o naturalmente… a condensação que se gerou flipou-lhe o LCD… ficou completamente morto… vá lá que foi temporário… o laptop podia ter ido para o galheiro ou pior ainda… o disco…

    Mas acho que o fundamental que foi apresentado pelo Marco é que quem resolve ‘problemas informáticos’ tem o 9º ano e sabe instalar o windows porque foi a um curso qualquer de 3 meses, e é por isso que não se faz cobrar a 50€ por hora + IVA (valor por baixo) como qualquer consultor com experiencia, se queres pagar a alguém com experiência, que te resolva as coisas, então paga que há aí muita gente que não se chateia de ganhar uns patacos, a HP (Asus, IBM, LG, Samsung, Toshiba, Apple, etc) apenas te garante o hardware, o que lá metes dentro e de tua responsabilidade… e eu até compreendo a posição deles. Provavelmente faria o mesmo! (E vendia-te um Raid5 ou 6 por mais uns patacos obviamente :D )

  20. Carlos Martins Julho 11, 2008 @ 08:33

    A maior parte das caixas para discos que conheço, são uma porcaria em termos de ventilação.
    Uma das que tenho, que escolhi por ter USB + Firewire, é toda em plástico… o disco ao fim de uns minutos de actividade fica a escaldar – (Agora trabalha “ao ar livre”)

    Mas mesmo ao ar livre não é o caso ideal.
    Os fabricantes dos discos assumem que os mesmo serão montados num sítio “normal”, em que a própria estrutura onde os discos são aparafusados ajudam a dissipar o calor.

    (em opção há aquelas ventoinhas “low-profile” que se encaixam em baixo dos mesmos… se bem que se têm que por a funcionar a uma voltagem mais baixa, para não fazerem barulho incomodativo.)

  21. Marco Lopes Julho 11, 2008 @ 08:48

    @Hugo Cordeiro

    Eu até podia concordar que eles só dêem assistência ao Hardware, mas assim sendo não vejo porquê que não há a opção de o disco não ser formatado. Afinal se eles não estão a resolver problemas de software, pelo qual não se responsabilizam, porquê a obrigatoriedade em limpar o disco do cliente?
    Mas… a verdade é que não concordo que a assistência seja dada só ao Hardware. A HP, tal como a Dell e outras grandes marcas, têm acordos com a Microsoft para que em todas as máquinas novas venha incluído no preço o valor do Windows. Para ajudar à festa, o Windows vem pré-instalado, e isto não é uma opção do cliente que tem que mover montanhas se quiser o seu dinheiro de volta no caso de não querer Windows.

    @Carlos Martins

    De facto a minha caixa é de plástico, mas penso que tem uma ventoinha pequena atrás. Neste caso específico creio que o problema caiu fora do âmbito do aquecimento. Estou a ver se me lembro em que altura isto aconteceu porque acho que nem sequer era verão.

    De qualquer forma, para o simples utilizador de uma máquina fotográfica não me parece que a solução passe por artilhar uma sala com ventoinhas para garantir a manutenção das fotos. Isso é coisa para o pessoal dos computadores.

  22. Hugo Cordeiro Julho 14, 2008 @ 04:42

    @Marco Lopes
    Sim, não deixas de ter razão que os tipos são uns imbecis, mas dado que não podes fazer nada em relação a isso, o melhor mesmo é fazeres o que podes do teu lado, se tens mesmo stress que te mexam no disco, então remove-o e coloca-lhe outro limpo antes de mandares reparar o pc… Sim, custa dinheiro, sim pode invalidar a garantia, mas voltamos á pergunta do costume: quanto vale realmente a tua informação? Uma coisa é certa, não consegues ir a lado nenhum sem injecção de capital :D

  23. sofia Julho 19, 2010 @ 18:15

    :oops: eu acho que vai ter muita tecnologia e pouca natureza , vamos dizer que na parte de meio ambiente não vai ser melhor que hoje.

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