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Será que consigo ver as minhas fotos daqui a 10 anos?

Por Marco Lopes

Infelizmente a informática está numa fase muito estranha. Os computadores avariam-se e as marcas recusam-se a recuperar os dados dos discos, mesmo quando os problemas não são no disco. Por outro lado também se recusam a receber sequer instruções para não reinstalar o sistema depois de trocar o hardware avariado. Ainda esta semana um familiar meu teve uma avaria na motherboard de um computador HP, dentro do período de garantia, e o que lhe disseram foi que se quisesse recuperar dados do disco tinha que ir a uma casa de informática e pagar para lhe tirarem os dados de lá antes de o computador ir para arranjo. A hipótese de ser a própria HP a retirar alguns dados do disco, ou trocar a motherboard sem formatar o disco não é sequer considerada, sob a desculpa de que o computador vai para Espanha. Aparentemente ninguém por cá pode dar instruções em Castelhano ou Inglês, e por lá ninguém percebe Português, porque esse é o único motivo que me parece justificar que não seja possível comunicar o que é suposto fazer a um computador.

DVD

Este tipo de incompetência por parte das grandes marcas, as rápidas mudanças de formatos físicos e de software, cada vez mais incompatíveis e protegidos por patentes que obrigam a que cada marca desenvolva o seu formato específico e a cada vez pior qualidade do hardware, levam a que a manutenção de dados por um periodo longo sejam um autêntico pesadelo.

Uma das coisas que é suposto guardarmos durante anos são as fotografias. Ainda hoje, tenho acesso a centenas de fotografias e slides que os meus pais tiraram, algumas, bem anteriores ao meu nascimento. Até há alguns anos, as fotografias eram algo físico que basicamente bastava guardar e estava resolvido o problema. Agora, as fotografias vêem em formatos digitais que correm o risco de obsolescência em poucos anos. Para agravar, cada máquina usa o seu formato, e quando entramos no campo do RAW, a coisa descamba completamente e o risco de perda de compatibilidade é ainda maior.

No meio deste drama todo, os discos rígidos actuais passam mais tempo a avariar do que a funcionar. Por esse motivo é conveniente manter backups se não queremos ver as nossas fotografias desaparecer para sempre. Em que formato vamos fazer um backups? Em DVD? Dêem-me um euro por cada DVD que eu já vi estar corrompido assim que acaba de ser gravado e não preciso de mais um tostão para meter gasolina até ao fim do ano, com aumentos e tudo! Ainda por cima, uma biblioteca razoável de fotografias não cabe num só DVD, por isso o risco tem que ser multiplicado pelo número de DVDs que essa biblioteca ocupar. Novos formatos vão surgindo como o Blu-ray ou mesmo o Blu-ray de 400G... mas... esses formatos também estão prejudicados pelas patentes e guerras de formatos e arriscamos gastar uma fortuna numa drive para ter uma coisa que nunca chega a pegar. Para agravar isto tudo, arriscamos a que ao fim de meia dúzia de anos os nossos DVDs/Blu-rays/whatever, se durarem esse tempo todo sem se estragar, contenham uns milhares de fotos em formatos que não conseguimos abrir porque o formato X já não é suportado por ninguém (substituir formato X por RAW de cada uma das marcas de máquinas fotográficas que se lembrou ou se viu obrigada pelas limitações impostas pelas patentes a criar um formato próprio).

Pessoalmente, as minhas fotos estão em dois computadores diferentes, num disco externo que entretanto já avariou e em alguns DVDs que espero ainda não se tenham ido juntar ao criador. Isto tudo não me dá garantias de segurança e ainda por cima, as fotos mais recentes, como seria de esperar não estão distribuidas por todos estes meios.

No Digital Photography School, publicaram um artigo intitulado 5 Ways To Never Lose Your Photos, que dá algumas sugestões para guardar fotos, mas não me parece apresentar soluções simples para nenhum destes problemas que aqui descrevo.

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Algumas adendas

Por Marco Lopes

Plugin de Flash para o Firefox

Há uns dias escrevi um artigo intitulado Pulseaudio e o Flash Player no Ubuntu, onde indicava como resolvi o meu problema de som no plugin de flash, situação bastante irritante numa época em que se está exposto a tantos vídeos do youtube. Infelizmente, agora tenho tido uns crashes no Firefox. Alguma investigação sobre o assunto parece sugerir que isso tem a ver com o plugin de flash. Fica o aviso para quem quiser testar a solução indicada.

Youtube

Um pouco mais antigo é o artigo Youtube anão, onde refiro uma situação em que após a instalação do Firefox 3 no ubuntu o youtube era renderizado com um tamanho ridiculamente pequeno. Esse problema foi entretanto resolvido, e acabei por concluir que não era exactamente um problema. O que se estava a passar é que por algum motivo o Firefox 3 assumiu por omissão que o youtube era visto com um full page zoom muito pequenino, eu arriscaria dizer para aí uns 10%. A situação ficou resolvida fazendo um reset ao zoom da página, View->Zoom->Reset ou Ctrl-0.

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Windowmaker está de volta

Por Marco Lopes

Li no Wmaker Cyaneus e confirmei no site oficial do Windowmaker que o Windowmaker se está a preparar para ver o seu desenvolvimento retomado. Boas notícias para todos aqueles que como eu ainda o consideram o melhor window manager que por aí anda.

Para quem não sabe, o windowmaker é um dos descendentes do NExtSTEP, gestor de desktop desenvolvido pela NExt, na altura do Steve Jobs. O NExtSTEP deu origem ao gestor de desktop do Mac OS X, o Aqua e também a coisas como o OpenStep, AfterStep, GNUStep e ao gestor de janelas WindowMaker.

Neste vídeo, que penso ser de 1992, onde um jovem Steve Jobs faz a apresentação da versão 3 do sistema operativo NExt, podemos ver como muitas das features que hoje nos são familiares, para não variar, sairam de uma equipa liderada por Steve Jobs, e podemos também confirmar que ele mais uma vez andava muito à frente do resto. Relembro que isto se passou 3 anos antes de sair o Windows 95.

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Pensamento do dia (06/06/2008)

Por Marco Lopes

A vantagem de ter bastante tráfego vindo dos motores de busca, é que eles não descansam ao fim de semana.

Marco Lopes

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Matthieu Ricard, Hábitos da Felicidade

Por Marco Lopes

TED Talks - Matthieu Ricard: Habits of happiness (vídeo)

Matthieu Ricard fala da felicidade e de como a sensação de realização pode não depender de factores externos.

A publicação deste vídeo aqui no blog tem uma história por trás. Há algumas semanas tinha-o visto no site TED Talks, mas não achei que se enquadrasse aqui, por isso não o publiquei. Hoje, ao ver as pesquisas efectuadas no site, descobri que um leitor procurava "maneiras de se manter o bom humor" e imediatamente me lembrei da palestra de Matthieu Ricard. Como gosto de ver os leitores satisfeitos, aqui fica o vídeo.

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Falar de Monty Python é chover no molhado

Por Marco Lopes

Foi em meados dos anos 90 que um dia, no segundo canal vi pela primeira vez os Monty Python. Um dia, por acidente, a horas indecentes como é hábito acontecer aos bons programas que passam na televisão, apanhei o Monty Python's Flying Circus, ou em português, Os Malucos do Circo Voador.

A minha primeira reacção, foi de "estranheza". Fiquei a olhar para a televisão, sem perceber se gostava daquilo ou não, mas não conseguia parar de ver. Episódio a episódio, todos os dias voltava a ver. Ao fim de pouco tempo, já era claro que de facto gostava do que ali se estava a passar, mas a minha forma de olhar para o humor, tinha sido modificada para sempre.

Quanto aos Monty Python em si, não há muito que se possa dizer que não seja já cliché, de tanto que já foi repetido. Se 39 anos depois da estreia de Monty Python's Flying Circus, os Monty Python ainda são uns comediantes de culto, o seu humor continua a surpreender e a angariar novos fãs, muitos com menos de metade da idade da série que os tornou famosos, não ficam dúvidas que quer se goste ou não, os Monty Python foram e são um marco na história da comédia.

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Flying Lessons, é um dos meus sketchs preferidos, e por muitas vezes que o veja, rio-me sempre à gargalhada com as magníficas performances de Graham Chapman e Terry Jones, as escolhas perfeitas para interpretar os seus personagens. Cada um dos elementos do grupo, é/foi um excelente comediante com características distintas e a distribuição dos personagens por cada um deles é regra geral extremamente bem feita.

O humor pythoniano, conhecido por ser irreverente, inesperado, nonsense, por muitas vezes dispensar a punchline e por ser um dos predecessores do humor moderno, assume vários formatos. No sketch que se segue, ao contrário do que se passava no anterior, os níveis de nonsense vão aumentado, terminando num autênctico festival de loucura que ainda hoje consegue surpreender os mais desprevenidos.

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Propositadamente, optei por colocar aqui sketches que, apesar de populares, não são os mais conhecidos dos Monty Python, como são exemplo o "Nobody Expects The Spanish Inquisition", "Dead Parrot", "Cheese Shop", ou o imortalizado por ter dado o nome aos mails não solicitados spam.

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Outro sketch muito conhecido dos Monty Python, "Lumberjack Song", é muitas vezes encontrado separado do seu antecessor, o sketch "Homicidal Barber" que mostra um barbeiro com tendências homicidas e que sempre quis ser... um lenhador. Na minha opinião, separados estes sketches perdem muito, apesar de mesmo assim serem ambos excelentes. Aqui fica a versão completa.

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O Gildot e a época de ouro da Internet

Por Marco Lopes

Gildot

Num comentário ao artigo Os “sempre em baixo”, onde falo dos problemas de uptime do site da caixa directa, um utilizador questionava se iria haver alguma resposta por parte de alguém da CGD. Em resposta a esse comentário, falei-lhe numa discussão que aconteceu no Gildot em 2003 aquando da colocação online do teclado virtual no site da caixa directa. Quando encontrei esta página, estive a reler a discussão e isso fez-me pensar no que o Gildot já foi.

Infelizmente, o Gildot morreu e ninguém lhe avisou. Digo infelizmente porque eu sou/era um grande fã do Gildot. Acompanhei-o desde muito cedo, antes ainda de um incidente onde um utilizador se fez passar por outro que se identificava como lamego e levou a que os utilizadores passassem a ser registados. Quando isto aconteceu, registei-me e fiquei com o número de utilizador 137.

Sou daqueles, que este tempo todo depois de o Gildot ter perdido o seu folego ainda continuo a lá regressar e de vez em quando a colocar um ou outro comentário na vã esperança de o ver regressar.

Ao contrário da opinião de muita gente, para mim o Gildot sempre foi um pólo onde se encontrava a comunidade informática portuguesa. Andava por lá gente das mais diversas áreas da tecnologia e das mais diversas origens: estudantes, profissionais, auto-didactas, etc... Eu descreveria o Gildot dos seus tempos áureos como A Brasileira da tecnologia, onde andava gente com grandes conhecimentos, e relacionada com os maiores projectos e empresas da área.

Era um espaço de discussão, e encontravam-se opiniões divergentes, o que só o fazia mais interessante. Ao contrário do que muitas virgens ofendidas passavam o tempo a pregar, a maior parte dessas discussões eram positivas, e mesmo quando aqueciam um pouco mais, havia sempre alguma partilha de conhecimento e demonstrações de pontos de vista diversos.

À volta do Gildot, surgiram ainda outros projectos como o startux.org, do qual ainda cheguei a fazer parte, a convite do Mário Gamito, seu autor. Também neste aspecto o Gildot contribuiu bastante. Sendo que muitas das pessoas relacionadas com a formação dos agregadores de blogs mais populares em Portugal actualmente, também estavam relacionadas com o Gildot.

Para muitos, o Gildot podia ser um local muito ruídoso, para outros é até cómodo que já não haja o sítio onde as pessoas que sabiam do assunto teciam as suas críticas, mas para mim, por todos estes motivos e muitos outros, o Gildot foi um dos sites mais importantes na internet em Portugal e o espaço que ocupou durante muitos anos continua vago.

PS: Deixo aqui um desafio. Quem é que se lembra do endereço original do Gildot?

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Pulseaudio e o Flash Player no Ubuntu

Por Marco Lopes

Já há algum tempo que tenho tido problemas com o som no plugin para visualizar SWFs no firefox em Ubuntu 8.04. Pelo que consegui saber, o problema residia numa incompatibilidade qualquer entre o pulseaudio e a libflashplugin. Como eu não tenho por hábito utilizar o Gnome, a solução que costumava usar era fazer um kill ao pulseaudio e tinha a questão resolvida. Mas hoje, resolvi dar uma hipótese ao Gnome e tive então que encontrar uma solução para esse problema. A solução, encontrei-a no wiki do ubuntu e é a seguinte:
wget http://logicalnetworking.net/other/libflashsupport_1.0~2219-1_i386.deb

sudo dpkg -i libflashsupport_1.0~2219-1_i386.deb

Depois disto foi-me pedido para fazer um update, mas penso que o problema já estaria resolvido. De qualquer modo, fiz o update "et voilá", o flash já tem som.

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Os “sempre em baixo”

Por Marco Lopes

Quem usa o site caixa directa, da caixa geral de depósitos, está com certeza bastante familiarizado com esta mensagem de erro:

CGD indisponível

Mas questiono-me com frequência se não seria mais apropriada esta mensagem de erro:

Erro CGD alternativo

Fica a sugestão, espero que o pessoal da caixa directa a veja e aceite, pois este erro é claramente mais adequado à realidade do site.

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Mas que grandes empresas

Por Marco Lopes

Hoje ouvi na rádio, de manhã, que se vai celebrar um protocolo com várias empresas no âmbito da criação de academias de TI. Nessa notícia na rádio, passaram umas declarações da ministra da educação onde ela referia o apoio de grandes empresas.

Sim, eu sei que muitos já estão a pensar: "Lá vai o gajo pôr-se a cascar na Microsoft!". E é um facto que a Microsoft está naturalmente na lista que ela referiu, mas não é disso que vou falar. O que vou falar é da referência a duas grandes empresas que me pareceram estranhas. Uma dessas empresas foi uma tal de "aiple"... ou isso ou temos outro(a) governante com um curso de Inglês tirado por fax, e o que ela de facto queria dizer era "apple" (que se lê "áple"). A outra empresa que me pareceu um pouco estranha foi "a Linux". Se por um lado fico contente por o Linux estar metido ao barulho nestas coisas, por outro o facto da própria ministra não fazer ideia do que está a falar preocupa-me.

Linux e Pinguins

Apesar da minha confiança em tudo o que venha do estado e esteja relacionado com TI já ter sido quebrada há muitos anos, ainda há coisas que me continuam a surpreender. Pelo sim, pelo não, pode ser que a presença d'a Linux nesta lista venha a fazer com que daqui a uns anos ainda possamos vir a ter uns informáticos a sair de um curso de... informática! É algo que já começa a causar saudades.

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